Cadernos do Número Onze: A Inquietude de Não Saber Dizer de Onde Sou

Hufelandstraße, Berlin

Let me start by apologise in advance since this article will be written in my mother tongue, Português (yes, it’s written with this funny thingy on top of the ‘e’), and by addressing an even more deep and sincere apology to myself for not doing this more often. In the middle of all this English, German and Spanish dancing around my head I’m afraid one day I don’t know anymore how to.

Disclaimer (não sei se existe uma palavra em português para o mesmo efeito): É com orgulho que anuncio que este artigo não segue o mais recente acordo ortográfico de forma totalmente premeditada, propositada e descarada, pela pura convicção e fé que tenho na lingua portuguesa e no bom senso dos homens. Leia por sua conta e risco.

Agora que já nos entendemos com as introduções, passo a explicar o porquê de me ter sentado aqui assim a esta hora — tardia por sinal — a despejar mais um camião de frases sem nexo, embelezadas por figuras de estilo e onomatopoeias — tive de ir ao google procurar o significado e ver como se escreve — pouco a pouco para que o comum leitor mais desatento, provavelmente bastante justificado por um dia duro de trabalho, não note.

O título deste artigo, assim como a minha ilusão do que eu escrevo interessar a alguém, não está lá por acaso. É uma tentativa descarada de começar algo que infere uma continuação mas nem eu próprio sei pela altura em que escrevo estas linhas se algum dia vai deixar de ser mais um artigo solto, nesta imensidão de autores frustrados da Internet que nunca viram os seus pensamentos publicados numa folha de papel a sério.

Então indo ao que nos trouxe aqui, hoje quero falar-vos de viagens, do porquê de viajar, da razão pela qual eu próprio viajo. Muitas vezes já me fizeram essa pergunta, entre dois olhares de espanto e condescendência, porque é que não fico mais tempo na mesma cidade, porque é que quando tudo está bem eu arranjo sempre forma de implodir com a rotina e procurar os mesmos problemas noutro lado qualquer.

A verdade é que nem eu sei bem o que é que procuro, mas sei que não quero ter o empréstimo do carro, da casa e dos móveis que “mais vale comprar o conjunto todo porque duram uma vida” para pagar, nem fazer aquela grande viagem ao México (sem desfazer do México que é um país incrível) e ficar a falar dela em todas as conversas de café durante os próximos cinco anos porque não fiz mais nenhuma entretanto e toda a gente já sabe como Portimão está lotado de gente em Agosto, nem lutar pelo aumento de 0.0001% no salário e sentir-me com sorte por ainda ter o emprego porque “há praí gente que está bem pior”, nem deitar-me ao lado de alguém e adormecer num sono sem sonhos, porque já não somos nenhumas crianças para ter desses devaneios, nem saber prever de trás para a frente todas as horas de trabalho que tenho pela frente até ao dia da reforma (se o tédio não me matar antes), nem desenvolver uma alergia pelos almoços de domingo em casa dos pais (que tanto me dói no peito não os poder ter mais — até rimou. Note to self: escrever mais poesia) em que mais uma vez nos queixamos da vida e do quanto mal ela nos faz, nem queixar-me do patrão, do colega lambe-botas, da empregada da limpeza que está sempre a limpar a casa-de-banho (ou quarto-de-banho se preferirem) sempre que eu a/o quero usar, nem sentir o sufoco de saber de tudo isto e ser dominado pela impotência e inércia que me impede de sequer pensar em mudar. Pelo menos não para já.

Para onde ir depois disto? Não sei bem mas agradeço-lhe pela paciência se continuou a ler até aqui. Até já, tenho um avião para apanhar.

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